quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Inverso Desproporcional



Um dos inconvenientes da lucidez é o risco de ela ser denominada loucura, ainda mais, dessas que se cultiva por inércia da percepção ou profunda paralisia dos questionamentos, ou ambos.


Jeanne Chaves

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Xenofobia, Racismo e Fundamentalismo Religioso: O Ônus da Evolução Humana



Por todo o fim, se recentirá nossa memória genética do tempo em que nossos ancestrais demarcavam territórios geográficos, emocionais e afetivos, para fins de reprodução e hierarquização do poder, por conseguinte, da auto preservação, com urina e feromônio.


Jeanne Chaves

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Especial Para Quem Costuma Guardar o Estômago Entre Páginas de Auto Ajuda, Capítulos de Novela e Gritos de Gol


É muito possível que quanto mais a ciência prolongue a crassa existência humana, tanto menos humanos nos tornemos.

Jeanne Chaves

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Noite Em Pleno Dia




A pequena cidade interiorana entregava-se à remissão da pasmaceira provocada pela alta temperatura. Corria o ano de 1889. As ruas calçadas de paralelepípedos tremulavam e ardiam. Apesar de o mês ser propício a alta pluviosidade, até aquele momento nenhuma gota de água se derramara sobre os canaviais e plantações de abacaxi. Poucas portas de lojas do comércio se mantinham abertas. Era uma hora em que os lavradores descansavam seus facões e enxadas e se sentavam à sombra para comerem suas refeições frias.
As donas de casa preparavam os filhos para irem ao grupo escolar, ou cuidavam da cozinha. Havia ainda um pequeno contingente de mulheres que se sentava à sombra dos beirais dos telhados que cobriam as casas simples, caiadas em tons claros, para aproveitar a brisa fresca vinda do mar, e para saber e informar sobre a vida social do lugarejo.
A velha senhora arrastou uma cadeira de carvalho da mesa nua e a postou diante da janela, no interior da casa. Da janela e da porta aberta via-se fotos antigas de paisagens, impressas em pratos de porcelana. Como a maioria das casas da cidade, não havia jardim, e o quintal guardava uma viçosa horta de legumes e ervas medicinais diversas. Ela é, sem contestações, uma das moradoras mais antigas do lugar. A história de sua família remonta à época da colonização. Ajudara a nascer muitas crianças, e por várias vezes, em épocas de colapso, fora voluntária no pequeno hospital que ficava do outro lado da cidade, próximo ao porto, muito contra a vontade do pai e depois, do marido. Este era um homem de temperamento arisco, seus silêncios e dissimulações indicavam que estava envolvido em alguma trapaça de jogo ou com outras mulheres. As crises passavam e eles seguiam suas vidas. Ela, na lida com os filhos, agora, com suas próprias famílias constituídas, moram e trabalham na Capital e ele, lhe trazendo presentes, após dias a fio fora de casa, até que a doença o prostrara, e seus dias se resumiam a esperar o dia seguinte, ao lado dela. Àquela hora em que já o asseara e alimentara, repousava os olhos de sua existência, olhando todo o mundo que na janela se lhe apresentava.
Dalí há instante, o bonde passaria sobre a antiga trilha de viajantes e colonos e partiria com seus bancos de madeira vazios. Ninguém ia e ninguém vinha.
O Chefe de Polícia se despediria da jovem esposa à porta da casa e ela sairia, com seu vestido estampado, levando nas mãos o almoço do pároco, recém chegado a paróquia do bairro, lá se demoraria por cerca de duas horas e voltaria com o rosto soturno e levemente ruborizado, não traria nada nas mãos. Cumprimentaria os conhecidos que encontrasse no caminho sem lhes olhar diretamente.
O Gerente da Empresa de Correios e Telégrafos, homem alto, de traços finos, ombros largos, se apresentava sempre impecavelmente vestido, atravessaria a rua e se encontraria com o filho do dono do Armazém Central, tomariam uma charrete de aluguel e seguiriam juntos pela estrada que vai dar no porto. Retornariam por volta das oito horas da noite, e a velha Balo, ama de leite do jovem, lhes serviria o jantar na cozinha, se recolheria e eles se despediriam longamente após mais uns tragos de conhaque.
A filha da dona da casa de prostituição; moça pálida, de faces estragadas pela acne, sairia a tratar das necessidades dos negócios da mãe. Antes de conhecer certo cigano, que por lá encantara muitas mulheres tanto quanto provocara desgosto a muitos homens, era uma criatura alegre, inventiva e ousada. Trazia sempre uma resposta pronta às ofensas e piadas que recebia dos pretensos puritanos de seu convívio. Então, ela contava dezessete anos. Agora, aos vinte e oito, tinha atitudes tão pálidas quanto sua aparência. Não se casara e nem pensava em fazê-lo, nenhum homem seria, nunca mais, merecedor de sua confiança e afeto, pois os conhecia mais profundamente do que as mães e esposas dos clientes frequentadores do comércio de sua mãe.
O maior criador de cavalos da região entraria na mercearia no fim da rua com dois peões e pediria para si o prato de sempre. Sua tranqüilidade confundia-se com frieza. Seus olhos argutos, penetrantes, são olhos de quem precisa prever intenções. Ao que se sabia sua mulher, acometida pela tuberculose, se tratava no sul do país com a assistência pessoal de sua única filha. Verdade, é que nada se sabia daquele homem de cinqüenta e oito anos, a não ser que tinha influência na política e que ia à casa de prostituição com a mesma frequência com que ia à igreja, à qual fazia generosas doações sempre que solicitado. Após o almoço, acendia um charuto, dirigia-se ao balcão e perguntava, polidamente, pelos familiares do proprietário, falavam de negócios e política. Os homens que o acompanhavam, como de costume, sairiam primeiro, olhariam a rua, colocariam seus chapéus de feltro gasto e montariam seus cavalos. O patrão seguiria entre eles de volta às suas terras.
Foi assim que naquele dia em que o céu sem nuvens ostentava uma lua cheia e branca e o sol principiava a abandonar seu cume, uma grande quantidade de pássaros, em bandos e desgarrados, sobrevoava a cidade oferecendo indícios de que muitas rotinas se desfariam para sempre.
Foi assim que no momento em que a lua começou a devorar lentamente o sol, as sombras mudaram do lugar de costume. As galinhas começaram a recolher suas ninhadas, e galos cantaram como se fosse chegada a aurora.
No breve período que durou o evento, nunca antes presenciado naquelas paragens, personagens anônimos e conhecidos daquela pacata cidade rural quedaram-se em pensamentos de fim de mundo. Seus desvios de comportamento para tão longe da conspiração ordeira e coletiva da convivência social lhes pesavam na consciência e na carne.
O grande criador de cavalos enterrou o rosto na crina do alazão lamentando ter que se afastar de suas posses num momento em que todos os planos de sua vida começavam a dar frutos. Lembrou-se dos assassinatos das famílias dos colonos, dos desaparecimentos de concorrentes políticos, de como algumas de suas mulheres eram bravas no momento do sexo. Soluçava e relatava aquelas lembranças em voz alta.
A moça pálida encostou-se à parede da casa vizinha à da velha senhora e orou por si, pelo filho abortado, por sua mãe e por sua amante, a oração mais verdadeira que um ser ateu podia orar.
O gerente da Empresa de Correios e Telégrafos, abraçado ao seu frágil amigo, beijava-lhe os lábios prometendo que encontraria com ele em algum lugar.
A jovem esposa do Chefe de Polícia largou os pratos amarrados em panos de cozinha e olhava tudo em volta com olhar perdido, chamando baixinho o nome do homem que lhe fizera fêmea e santa. Mas o pároco não ouvia, flagelava-se diante do altar-mor da igreja com fortes socos no peito, onde a batina se encontrava rasgada.
A velha senhora não se movera de sua cadeira, apenas pensava que morrer daquela forma não doeria mais do que nascer, ou viver da forma como tinha vivido.
O eclipse durou aproximadamente uma hora. Aos poucos a lua foi devolvendo as fatias tomadas ao sol. Enquanto o dia voltava a ser dia, aquelas pessoas jamais puderam voltar a ser, cada uma, o mesmo de antes.
E tudo porque o mundo não acabou.


Jeanne Chaves

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Mal do Século








Sucede que infecções altamente contagiosas no tecido cognitivo levam à falência múltipla dos óbvios.


Jeanne Chaves











domingo, 19 de junho de 2011

A Última Onda


É aquela que fere, que virá mais tranquila com a fome do povo, com pedaços da vida, como a dura semente que se prende no fogo de toda multidão. 
(José Ramalho Neto - 1981)



Ele chegava sempre, pontualmente, às 22:45h, a menos que precisasse dobrar o turno na fábrica. O cansaço marcava ainda mais os traços do seu rosto, sobretudo, as rugas verticais entre as sobrancelhas castanhas espessas, e as dos cantos dos lábios, retos de tão finos. Franzino, se movimentava com agilidade pela cozinha. Retirava da pequena mochila plástica a inseparável garrafa de café, lavava-a e depois destampava as panelas sobre o fogão, se o conteúdo o agradasse, revirava os olhos e se apressava para o banho, se não, deitava as tampas de volta nas panelas e entabulava assuntos corriqueiros do trabalho, até ir para o banheiro, de modo que só se sabia o que ele achava realmente do jantar através do seu humor. Em uma dessas noites do ano de 1976, ele chegou de outro jeito. As íris castanhas, muito claras, brilhavam feéricamente em órbitas avermelhadas, tornando-se verdes. A mochila com a garrafa de café ficou esquecida sobre a pia, enquanto ele contava a esposa, em voz muito baixa, o sequestro de um casal amigo da família. As luzes dos aposentos foram apagadas e todos se reuniram ao redor da chama de uma vela, como se o que fosse ser dito necessitasse unicamente desse acolhimento, em volta da mesa de madeira barata, pintada a tinta óleo de um azul de gosto questionável, semelhante ao fundo escolhido pelo pintor do quadro que ilustrava a Santa Ceia, pendurado e milimetricamente ajustado sobre um conjunto de rachaduras na parede pintada tantas vezes em diferentes cores que agora não só ela, mas todas as paredes da casa não tinham cor comparável.

Era uma época em que os ventos levavam muito longe, e às vezes nem tanto, as palavras. Tempos em que era necessário cuidar dos ventos e das palavras, sob o risco de se desaparecer como quem não teve nem terá história, e o medo, embalado pelo som de fuzis automáticos, era insone. Com pormenores, todos ficaram sabendo que o casal amigo fora denunciado juntamente com outras pessoas que se organizavam para exigir o pagamento de horas extras e reposição salarial. Já bem tarde, cada um foi dormir aspirando a fumaça de espirais repelentes de mosquitos que duravam o tempo bastante de se cair em sono profundo e as picadas não incomodarem mais.

Doze anos antes, os três filhos desse angustiado operário, regalavam-se com os muitos sanduíches de carne, trazidos da fábrica, onde foram servidos fartamente em celebração a um novo tempo, depois não mais. E embora o telejornal, exibido em aparelhos de marca japonesa, apregoasse a existência de um boi no pasto para cada cidadão, eles ainda não tinham visto os chifres dos seus, sequer um bife.

Todos os dias a TV dizia que o futuro seria generoso e todos os dias se aguardava a lâmina dilaceradora da perversidade incubada na onda retardada da industrialização do país e do cidadão. No dia em que ela chegou, ele reuniu a família e foi para o meio do povo na rua, como gente que pode toda a liberdade, mostrar aos filhos uma euforia diferente, incontida de expectativas, pois que apenas tê-las, mesmo cega dos olhos que se cabiam, já bastava, e se dignava a todos os exageros, como se quisesse deixar  as mentiras e o medo de ressaca, e a certezas fiadas em si mesma, sóbrias.

A lâmina viera tranquila, vagarosamente, ferindo as fomes, e nelas amola ainda os gumes durante o tempo em que ele pensa que se pudesse ter a rapidez para ver tudo, assistiria a todos nos trinta quilômetros por hora da velocidade da Terra, acelerando-se na quarta e última onda erguida, a mostrar o falso fundo, e tapar o mundo, uns ficando para trás, outros funcionando, acontecendo, ficando como os cocos verdes que rebentavam dos coqueiros tortos, plantados por ele há anos atrás de eternidade, aos quais não se pode prescindir de mutilar o corpo na busca da cristalinidade doce, e varar a carne para se provar o sabor.

Na idade em que quando se fecha os olhos não se sonha mais, acorrem as lembranças como recurso derradeiro do que se viu e realizou. Como se fosse fraco, ele fechou os olhos brilhantes em verde, e estendeu a mão a velha esposa que a tomou na sua, sob a mesma mesa de sessenta e cinco anos antes, vigiada diuturnamente por rachaduras e apóstolos, acomodou a testa na mão dela, sem que fosse uma bênção nem um perdão, e seu último pensamento, na casa em silêncio dos filhos, vagou para os coqueiros marcados com o nome de cada um deles há várias eternidades atrás de lembranças, quando uma brisa fria o fez descer da última das ondas, a sirene distante de uma fábrica soou seu epitáfio, então ele se foi, como quem pudesse ter sido grande.


Jeanne Chaves

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sobre Democracias Tupiniquins, Arquivos Secretos da Ditadura e Orçamentos Para Copa do Mundo e Olimpíadas.



Posso não concordar com uma só palavra do que você não diz, mas defenderei até o fim seu direito de não dizê-las.

Jeanne Chaves

domingo, 12 de junho de 2011

Marcas Registradas




A profusão de informações alcançou a funcionalidade almejada, e consumir se tornou mais fácil do que pensar.



Jeanne Chaves

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Como Um Pão e Dois Vinténs




Existem expressões antigas que assumem certo requinte de metáfora. Eu não conseguia entender, por exemplo, o que a minha mãe queria dizer quando se referia à circunstância da morte de algum parente ou conhecido com a frase: “acabou-se como um pão e dois vinténs.” Era uma espécie de jargão que ela aprendeu com a minha avó e ilustrava de maneira rápida e eficiente no diálogo, os desaparecimentos anônimos, sem brilho, em que o legado, independentemente da ‘causa mortis’, eram as incertezas para a família, caso existisse, se não, expressava da mesma forma a efemeridade da vida do finado ou da finada em questão.

A expressão descortinava uma compreensão subjetiva, embora sustentada na observação da realidade próxima, dos seus fatores de inserção social.

Minha avó, de quem minha mãe tirara o aprendizado daquela frase, era religiosa ao extremo do rigor, analfabeta e demasiado fecunda, o que a impediria de participar do mercado de trabalho de sua época mesmo que existisse algum que assim pudesse ser chamado na cidade em que ela viveu sua infância, juventude e boa parte da maturidade. Assim, alguém que não merecesse o pejo da expressão, apesar de morto, era aquele que se saísse vitorioso das rumorosas lutas de classes, nunca admitidas de boa vontade pelos apaixonados defensores do capitalismo parasitário. Achavam que poderiam, um dia, parasitar também, esquecendo que quem nasce para ascaris nunca chega à cascavel, ao menos, não coletivamente.

As lutas agora são um murmúrio indistinto e agonizante, sufocado por confortáveis e ilusórias almofadas de economia globalizada em um mundo feliz. Um mundo escrito por profissionais de marketing, profissão ainda mais brilhante e importante do que as personalidades dos líderes das grandes nações. Os maiores ‘caras’ entre os 'caras', aqueles que fazem ser outra a teoria vendida na prática, auxiliados luxuosamente pelos gurus acionados por controle remoto, nesse tal mundo feliz que nos é vendido.

O que os moicanos sabiam, como se constante de sua identidade genética, os tupiniquins aprenderam por estímulos quase pavlovianos. As diversas classes (cidadãos trabalhadores, classe estudantil, aposentados) ‘involuiram’ para apenas duas: a dos cidadãos de primeira classe, e a dos cidadãos de segunda classe, que se alternam na roda da fortuna e das políticas públicas e econômicas sempre tão volúveis e inócuas. As nações, igualmente: nações de primeira classe e as outras, nas quais a regra número um de contenção das massas é “esconder o que seja ruim e faturar sobre o que seja considerado bom”, seguida pela regra número dois, “vender cianureto como se fosse coca-cola”.

Literalmente ao pé da letra, a qualificação de cidadãos em classes A, B, C, D... sugere um 'copy-plast' da hifenização de relatórios da Organização das Nações Unidas de avaliação de desempenho do crescimento de um país. Itens que satisfazem a economia globalizada e oferecem um fôlego sobressalente ao Grupo dos 20 menos 8.

Então, em um país no qual o número de mortes por assassinato chega a cinquenta mil por ano e o número de vítimas fatais do trânsito chega a trinta e sete mil por ano, como é o caso do Brasil, se alimenta, longamente, a idéia de que a expectativa de vida da população aumentou em função de uma melhor alimentação e mais investimentos em ações de atenção e assistência à saúde. Entrega-se, assim, a idéia de mão beijada aos gurus acionados por controle remoto, e os telespectadores acreditam piamente que vivem mais e melhor, e ainda, que o aumento da idade e do tempo de contribuição para o Instituto Nacional de Previdência Social é justo e se não for, não importa, eles sobreviverão às doenças crônicas adquiridas com a idade e as provenientes do trabalho, caso consigam cumprir ininterruptamente o tempo de serviço e de contribuição, superarão mais uma reforma previdenciária, que indica o contrário de crescimento econômico, para um mundo feliz em sua demência estática de ascaris.

Agora, sei que a profundidade da comparação da minha avó correlaciona a fragilidade da existência com o valor material da subsistência.

Os cidadãos de primeira classe simplesmente morrem, os de segunda classe se acabam com a rapidez do vintém trocado pelo pão e da fome que devora este. Depois, não há mais necessidade de pão nem vintém.

Mesmo analfabeta e pensionista do INSS, minha avó era uma filósofa sensível e perspicaz da realidade próxima.


Jeanne Chaves

Com agradecimentos a Cau Alexandre


sábado, 21 de maio de 2011

Enquanto o Mundo Não Acaba



"A hierarquização das sociedades só é possivel através da pobreza e da ignorância".

O mundo tem, nas minhas contas, hoje, 21 de Maio de 2011, 14:00h, segundo fundamentalistas religiosos tiosanenses, dez horas para se acabar. Talvez seja o tempo necessário para as aves perderem o equilíbrio no vôo devido a interferências eletromagnéticas provocadas por fatores inexplicáveis na atmosfera terrestre começarem a despencar dos céus e se chocarem contra tudo. Talvez seja o tempo necessário para algum cientista nerd descobrir que um asteróide indócil fotografado há muito tempo pelo Hubble esteja em rota de colisão com a Terra neste preciso momento, talvez seja um tempo hábil para convocar um esquecido, e torturado pelas culpas do passado, herói tiosanense para mostrar a este asteroidezinho de m... quem é que manda e para tanto ele se sacrificaria, tal Cristo dadaísta, pela vida na Terra. Talvez, seja o tempo necessário para, na impossibilidade de se evitar a hecatombe por tsunamis, que fariam as plataformas continentais flutuarem como cascas de ovos sobre os mares, os tiosanenses mostrarem ao mundo, se os satélites de trasmissão de sinais de rádio não estiverem bloqueados por aquelas tais interferências eletromagnéticas, a materialização maquiavélica do projeto desenvolvido às escondidas, onde mega naves marinhas abrigariam os últimos exemplares da espécie humana, e o lider político tiosanenese, com um resquício de escrúpulo na alma, cederia seu lugar na viagem a um novo tipo de colonização para Obama, perdão, Osama Bin Laden, ou quem sabe, ele já esteja a bordo da Endeavour, contando a sua herança em gravidade zero? Mas, acho que seja pouco tempo para se disseminar o vírus transformador de seres humanos em vampiros já que as mutações genéticas só se verificam ao longo das gerações, grande desvirtuação do trabalho de Bram Stocker por Stephanie Meyer e seguidores contemporâneos, não, definitivamente esta não é a forma de extinção mais rápida plausível, a não ser do pensamento. Então, me ponho a pensar em como o mundo poderia acabar em tão curto espaço de horas. Eliminação do canditado a presidência da França e atual presidente do FMI, Strauss-Kahn? Não... O jogo só começou agora, no placar tiosanenses 1 x 0 europeus, e acho que não haverá partida complementar. Uma bomba atômica de 1000 megatons, detonada pelo Estado de Israel, do Paquistão? Não... Os tiosanenses difundiram o fundamento, mas lá ainda não existe bases estruturais para a prática. Seria pelas mãos "do guerreiro tão vistoso, tão temido e poderoso em um zeppelin", que entraria no nosso espaço aéreo vigiado por satélites estrangeiros para detonar uma bomba de neutrôns, em respeito a Amazônia e ao Pantanal, e nos libertar da nossa iniquidade? Não... Ele ficaria em dúvida entre uma imigrante da Guiné em N.Y, derrubadora (involuntária?) de homens fortes do poder econômico europeu e uma estagiária da Casa Branca que jamais confessaria os EEUU terem quebrado o embargo econômico a Cuba no episódio do charuto. Mas, esperem, talvez o fim do mundo venha com a descida de Deus aos reinos da Terra para destruir tudo o que foi feito e começar do início com a experiência adquirida... Não, ele não se arriscaria tanto, é muito perigoso aqui em baixo... Então, alguém tem que processar essa seitazinha terrorista por propaganda enganosa! Ora essa! Não é justo ficar distribuindo falsa esperança impunemente! E já que não há a mínima possibilidade de o mundo acabar hoje, vou cuidar da minha vida!

Jeanne Chaves

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Aprendendo a Viver (Na Ditamole Populista)


A substância do pensamento é a palavra, esta quanto mais pouca tanto mais magro o pensamento.


Jeanne Chaves

Primessência

Projeto Ashes and Snow: Gregory Colbert
Imagens: Gregory Colbert




Musica: Devotion - Lisa Gerrad


terça-feira, 26 de abril de 2011

Globalização

 A BOLA DA VEZ



Prenúncios de que o capiatalismo principia a carcomer a olhos nus.

2011... 2012... 2013... 2014... 2015... 2016... 2017... 2018... 4... 3... 2... 1... Crack!

Jeanne Chaves

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Memória da Caverna



De perto o futuro permanece solitário,
perímetro antigo de sucessivos alcances.
O homem colhe, em glória, sobejos,
nada que valha a pena tantos corpos.

Marcha nos inconvenientes da lógica,
decapitando esfinges com lâminas de éticas,
uma após outra, outra após uma,
nos graus prodigiosos das distâncias,
como se pudesse, em seu tempo,
controlar-se.

A natureza, acompanhando suas razões
em consonância à memória dos futuros,
um chip à sombra do fogo na caverna
cercando desajustes de antigas
novas ordens mundiais,
segue sangrando acesa.



Jeanne Chaves

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Oração Ao Outro Pai








Dólar que ainda estais nos céus
desmistificado seja o vosso lume:
liberte-mo-nos dos vossos efeitos.
Satisfeita seja a nossa necessidade
de reforma íntima, ética e moral.

Que o pão amassado que comemos hoje
não nos ofenda assim como tem ofendido,
não elejamos jamais políticos bandidos,
não nos deixemos cair em tal tentação,
nem nos alienemos de todo esse mal.

Amém!


Jeanne Chaves

terça-feira, 12 de abril de 2011

Arbitrações Para Dias Chuvosos à Beira Mar







Muito mais grãos há na areia da praia
que corpos celestes ocultos na galáxia.
Não me engano que aos dois se conte,
realidade inteira é sonho por completar.

Nossa luta é diferente, quase humana,
havemos de auxiliar os ferros da agonia
cuidando de não ferir um Deus suscetível,
que a dor de doer em nós é mais hábil,

da qual se pode despedir no sinal falso
do que não teve início nem terá fim,
esta é a nossa maior finalidade: adeus.


Jeanne Chaves






domingo, 10 de abril de 2011

Lucidez


Só para que fique bem claro.

A violência mais grave occorre dentro dos próprios colégios nas relações sociais entre os alunos, professores e outros membros da comunidade escolar. A falta de respeito, o preconceito, e a homofobia transformam a escola em local que reproduz a violência que vem de fora.

Miriam Abromoway

O ESTADO está na sua ausência evidente e na sua presença demente.

Jeanne Chaves

sábado, 9 de abril de 2011

Efêmero Enquanto Eterno



E quando eu morrer antes de todo dia,

preserva-me o travesseiro de te valer

lembranças dos verões de nossas peles,

e deita no lugar de nós dois, meu amor,

aquele que podia ser de qualquer outra.


Jeanne Chaves

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Parece Que Foi Amanhã


Há muito tempo houve uma minúscula probabilidade de que a humanidade desse certo, todavia, sendo o homem a causa de si mesmo, atire, honestamente, o primeiro cuspe aquele a quem a imortalidade não assustaria mais do que a morte.

Jeanne Chaves

domingo, 27 de março de 2011

Bula de Suicídio Contemporâneo










Dez segundos: destrancou a porta e entrou. Sete segundos: ligou o computador. Cinco minutos: o sistema operacional carregou.  Um minuto: acessou uma rede de relacionamentos. Dois minutos: digitou um texto de despedida. Trinta segundos: abriu a janela. Lançou-se no vazio. Ao menos, naquele dia ela não parou de morrer.

Jeanne Chaves











sexta-feira, 25 de março de 2011

Antro Brasil








Admito que entre pizzas e troblerones viçava um tênue fio de esperança de que os hábitos larápios dos políticos brasileiros mudem, mas quando, ao contrário, a suprema justiça do Brasil os respalda, fazendo parecer o meu título de eleitor um atestado para idiotas, me assaltam duas certezas irredutíveis: a primeira, de que detesto os políticos brasileiros, eleitos, aspirantes e também os não nascidos, com o detestar mais patriótico. A segunda:  de que continuarei a detestá-los. Sem prejuízo do amor pelo meu país, meu ódio por eles é o que me redime.

Hoje, 24 de Março de 2011, a ética mais uma vez foi esmagada no Superior Tribunal de Justiça, os fichas-sujas se regojizam pela vitória da iniquidade promissora, e eu posso me entregar tranquilamente ao fracasso das coisas que não podem ser mudadas.



Jeanne Chaves









segunda-feira, 21 de março de 2011

Democaquexia


Quando sinto vontade de votar, deito e espero a vontade passar. Não vale à pena.


Jeanne Chaves

Como os Nossos Párias



Pause o Player na Barra Lateral



Rouanet: Lei Brasileira de Incentivo a Usura










quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Como É Que A Gente Foi Ficando Assim?



Olhar o Congresso Nacional é ter a visão do inferno com o cão chupando manga lá dentro. Aqui fora, um deus-nos-acuda.

Jeanne Chaves

Circo de Pulgas



Nossa demago-democracia é como um cachorro correndo atrás da própria cauda, um dia ele a alcançará e se devorará até a cabeça.

Jeanne Chaves

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Hai quase!





Confesso in off
dos Fábios e Marcelos
prefiro o Boff


Jeanne Chaves

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Mínima Lista


A caminho do mercado, deu com uma palavra nova, por receio que algum dicionário a afanasse, anotou na lista. Voltou correndo para escondê-la e jejuou a fome.


Jeanne Chaves

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Breves Definições Atualizadas do Estado Democrático






MEDIOCRACIA - Regime parte operacional do Estado de Direito. Surge quando a pobreza material justifica a truculência e a pobreza moral e intelectual. Período que perdura desde a colonização e no qual o conceito de honra (vocábulo atualmente extinto da língua falada e escrita, embora permaneça nos dicionários da língua portuguesa) abrange apenas o que carece de ser lavado.

PARTIDOCRACIA - Desunião de vários partidos das direitocracias, centrocracias e esquerdocracias promovendo a burocracia das constitucionalíssimas intenções de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

TEOCRACIA - É o tipo de poder que privilegia a prática de dar a outra face uns aos outros até o nocaute. Tem duas instâncias de poder: o poder sobre todas as coisas e o poder sobre todas as coisas. Apesar de ser mais antigo do que o Estado, este regime não apresenta linha divisória perceptível entre o poder que emana dos Céus e o poder que emana do Capital, sendo que os cargos mais cobiçados dos primeiros escalões são  os de Presidente da República dos Estados Unidos da América e o de Deus, este último nunca sujeito a vacância, não obstante Nietzsche. Os cidadãos desse regime apresentam inclinações para a tirania e o fanatismo.

NOVELOCRACIA - Enquadra-se no contexto cultural da democracia com objetivo simbólico de preencher a solidão de pensamentos do povo utilizando uma proporção de 10:10; dez informações inúteis anulando dez informações úteis. Em seu início, era vista com preconceito pela sociedade predominantemente proletária e machista, principalmente pelos homens, todavia, ao longo dos anos e com a liberação sexual levada sugestivamente e depois mais explicitamente às imagens, o proletariado abandonou completamente as idéias preconcebidas, dando mostras importantes da compreensão de que o amor é uma entidade horizontal, e que na horizontal tudo fica igual. Hoje, a cadeia produtora de consumo que se inicia com os patrocinadores, passando pela moda lançada pelos elencos e o "merchandising" atinge milhões de lares e cidadãos de todas as idades, sexos, credos e cores, lhes fornecendo os referenciais de si mesmos e onde não existe a pobreza extrema, as pessoas nunca são feias, os conflitos são da fácil resolução, a maldade tem sempre explicação e punição, e onde tudo termina numa grande festa.

FUTEBOLCRACIA - Enquadra-se no contexto esportivo da democracia, e a exemplo da novelocracia também estabelece uma cadeia produtora de consumo: a FIFA manda e ganha dinheiro, as confederações de futebol obedecem e ganham dinheiro, os times, pelo menos os da primeira divisão, se fizerem tudo certinho na aba da cartola, ganham dinheiro, os jogadores, vendidos ou comprados feito escravos, mas a peso de ouro, ganham muito dinheiro, os patrocinadores e as emissoras de TV ganham muito dinheiro. A futebolcracia funciona tendo como preceitos os  mais rigorosos ideais da industrialização, uma linha de montagem onde os elementos ingênuos de massificação do processo são os únicos pensando que futebol é só placar e, se favorável, eles se acham melhores do que qualquer outro elemento glúteo, digo: útil, do processo. A futebolcracia é constituída por indivíduos de retórica fastiosa e circular. Não raro, com tendências à parcialidade e ao fanatismo.

POLITICOCRACIA - Composta de políticos profissionais, seus parentes  e asseclas. Individualmente, é a unidade estrutural da partidocracia, exerce suas atividades na área escura da democracia, seu poder vem do voto direto, embora o povo não lhe confiasse a carteira no caso de não possuir bolsos e precisar ir ao banheiro, assim como em muitas outras situações. Por natureza, os políticos profissionais são a nata do que há por baixo. Possuem bons discursos de indefinição. São retraídos, poucas vezes vistos nos seus locais de trabalho, o que é compreensível já que quem faz política não tem tempo de cumprir promessas de campanha. Só saem às ruas em período eleitoral.

BIGBROTHERCRACIA - Parte razoavelmente nova da democracia, sem interligações políticas, culturais ou religiosas, por este motivo, transita em todos os âmbitos da mediocracia congregando cidadãos de todas as idades, sexos, cores e credos. Promove concorrência legítima e irreprovável com sites de sexo, Playboy, G Magazine e congêneres. Fornece um lucro  livre de impostos à oligarquia que detém  sua gestão, a exemplo da teocracia, políticocracia, partidocracia e toxicocracia.

TOXICOCRACIA - Em vias de consolidação legal, a toxicocracia se constitui de indivíduos acometidos de dores existenciais aprofundadas, de um lado, e indivíduos que lutam pela pobrevivência, digo: sobrevivência, do outro. A democracia já vislumbrou a possibilidade de trazer para dentro do mercado financeiro o capital gerido às margens das atividades lícitas sociais, descriminalizando o uso das drogas e fomentando o tráfico, acredita-se que ao longo de mais uma década a democracia possa contar com grandes estatais ou empresas estrangeiras à frente do agro-negócio da maconha e da produção de drogas sintéticas para atender a demanda, reduzindo drasticamente (o termo é exatamente este), os custos da máquina pública com segurança, sistema judiciário e carcerário. A mão de obra excedente desses serviços poderá ser facilmente preparada e redistribuída neste novo filão do capitalismo, pois já existe o "know how".

Glossário:

Liberdade - É quando existem várias opções para se prender.

Igualdade - É quando se atinge a semelhança com  alguém famoso, e se satisfaz o desejo de  possuir qualquer produto ou subproduto teocrático, partidocrático, futebolcrático, novelocrático, políticocrático, bigbrothercrático e toxicocrático.

Ex: Quero um corte de cabelo "igual" ao da Gisele Bündchen!
       Você tem um anel "igual" ao do Silas Malafaya pra vender?
      
Fraternidade - Tipo de afeto  que  acontece corriqueiramente entre professantes de uma determinada religião, torcedores de um mesmo time de futebol, eleitores de um mesmo herói bigbrotheano, fãs da mesma novela, usuários do  mesmo boró, etc; na democracia, ocorre sempre em casos de grandes catástrofes e na politicocracia é palavra é atitude não condizente com quem venderia a própria alma, da mãe, para ficar no poder.


Jeanne Chaves











quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ninguém Disse Que Era Fácil


Jeanne Chaves

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Tirada


tirando falsos da História
tirando os votos da urna
tirando o time de campo
tirando o gosto da hóstia
tirando os blocos da rua
tirando o atraso no sexo
tirando o controle da mão
tirando mais uma tragada
tirando poder de comprar
tirando a coroa e a cara
tirando a carne malhada
há nada pra por no lugar


Jeanne Chaves